“[Essas pessoas] estão nessa trilha de extrema dedicação, extremo foco, e é isso o que você faz […]. Eu aprecio o fato de que alguém como você existe, cara”.
Essas são palavras de Joe Rogan, host daquele famoso podcast, dirigidas ao homem da foto. Seu nome é David Blaine.

David é um mágico. Como todo bom close-up magician, aquele mágico dos truques próximos do espectador, ele atingiu a perfeição em seus movimentos de carta através de repetição consistente, da prática contínua, do feedback de qualidade. Em suma, através da prática deliberada que eu mencionei neste texto do blog.
Como diz o mágico Raymond Teller,
“por vezes, mágica é apenas alguém gastando muito mais tempo em algo do que outros julgariam possível ou razoável”.
Ou seja, a prática deliberada constante, realizada por muito tempo, dá resultados tão fora da curva que, no contexto de habilidades manuais, parece mágica.
No contexto de estudo e trabalho cognitivo, parece genialidade.
Real or magic?
No contexto de exercícios físicos e controle mental e corporal… parece as outras coisas que David já fez. Ele já ficou 7 dias enterrado num caixão translúcido, visível sob uma coluna d’água, só com ar e líquidos. Ficou em pé por 63 horas dentro de um bloco de gelo, também só com ar e água. Jejuou por 44 dias (4,5 litros de água por dia e zero comida) em Londres, e teve seu processo de re-nutrição documentado num artigo do The New England Journal of Medicine.
Ele aprendeu a controlar os músculos do estômago para trazer à boca objetos e líquidos ingeridos. Na foto que abre este texto, ele está acendendo fogo com querosene recém ingerida (sim, por vezes ele realmente a engole) e, depois, o apaga expelindo água armazenada no estômago.
Empurrar seus limites
Vejam, é perfeitamente questionável se as motivações de David são corretas, se sua exposição ao risco é exagerada. Não se trata disso.
David Blaine é um conto, um filme de ação. Ele nos passa lições concretas e exemplos de virtude através de uma caricatura, de uma grande hipérbole, de exageros vindos da mente fértil de um escritor. Seus feitos são, inegavelmente, uma ode ao esforço, ao extremo foco e extrema dedicação, como disse Joe Rogan.
“Basicamente, você vive superando o desconforto, […] empurrando seus limites”, diz David a Joe, ao reconhecer também em seu entrevistador sua dedicação contínua às artes marciais e ao trabalho como comunicador. Com isso, Blaine revela que a fórmula é razoavelmente simples. Como sabemos, trata-se de viver dando pequenos passos para empurrar nossos limites, expandir nossa capacidade e virtudes.
Isso deveria inspirar também em nós um desejo de florescer nossas aptidões pelo trabalho duro e constante:
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Em que aspectos de sua vida você pode empurrar seus limites, com responsabilidade e ousadia, para ser uma versão melhor de si?
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Que habilidades valiosas você quer desenvolver ou aperfeiçoar, e qual seu plano para reservar tempo para praticá-la com constância?
Tornar-se sua melhor versão é algo mágico. Dê o primeiro passo.
Texto originalmente publicado, com poucas diferenças, em minha página do Instagram.